O edifício
atual, onde esteve instalada a cadeia do Aljube, data do séc. XVIII. Após o
terramoto de 1755, o plano pombalino de reconstrução da cidade implicou o
alargamento para norte da antiga Rua Direita da Porta Travessa da Sé, obrigando
à reedificação da Cadeia do Aljube, a qual exibe um escudo, ou seja, o brasão
dos Castros, que sobrepuja a porta principal.
Segundo o
investigador da História de Lisboa, Gomes de Brito, este brasão marca a
reconstrução do edifício, no todo ou em parte, por iniciativa do Bispo do
Porto, D. José de Castro, que o mandou ali colocar, à data do plano da nova
cidade de Pombal.
No entanto,
Luis Pastor de Macedo, no seu livro Lisboa de Lés a Lés, avança a possibilidade
de que, durante o domínio árabe, teria existido uma cadeia em Lisboa,
denominada "Aljobbe" ou "Alchub", instalada no edifício do
Aljube ou em qualquer outro que antes deste tivesse sido edificado naquele
local. Para este autor, e com base na investigação do já mencionado Gomes de
Brito, parece credível aceitar-se a hipótese de que este cárcere do Aljube
possa remontar aos primeiros tempos da Lisboa cristã, como local de punição
para crimes do foro eclesiástico.
Por sua vez,
em 1526, as Constituições do Arcebispado de Lisboa, publicadas em 1588,
permitem verificar a existência do Aljube como tal, ao estabelecerem que as
penas de prisão em matéria eclesiástica fossem cumpridas na referida cadeia. Em
1845, o Aljube foi destinado a prisão de mulheres, até à sua transferência para
o Convento das Mónicas, tendo funcionado como cárcere de presos políticos,
durante grande parte do período do Estado Novo. Em 1930, procurando modificar o
aspeto das prisões, foram executadas obras de beneficiação no Aljube. Por fim,
na década de 80, o Aljube foi reconvertido para a instalação do Instituto de
Reinserção Social.
Descrição:
Instalado numa antiga prisão política da ditadura
portuguesa (1926-974), é dedicado à memória da resistência em prol da liberdade
e da democracia. Inaugurado a 25 de abril de 2015, é um espaço de preservação e
valorização da memória na construção de uma cidadania democrática.
A obra de recuperação e adaptação do edifício é da
autoria dos arquitetos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira.
O museu está organizado por cinco pisos:
Piso -1 - Mostra de objetos arqueológicos;
Piso 0 - Memorial de homenagem aos presos políticos; história do edifício e espaço de exposições temporárias;
Piso 1 - A exposição de longa duração ocupa o piso 1, 2 e 3. No piso 1, a caracterização do regime ditatorial português (1926-1974), os seus meios de repressão e opressão (a Censura, as polícias e os tribunais políticos).
Piso 2 - A resistência das oposições (semi-legais e clandestinas), a prisão, a tortura, os curros de isolamento.
Piso 3 – A guerra colonial, a luta anticolonial e os movimentos independentistas de libertação, o derrube da ditadura e o 25 de abril de 1974..
Piso 4 - Auditório, espaço de exposições temporárias e vista panorâmica sobre o Tejo e a cidade de Lisboa.
O museu dispõe, ainda, de um Centro de Documentação
aberto ao público, e de uma programação diversa (visitas orientadas, debates e
conferências, exposições, cinema, teatro, itinerários).
Visita guiada ao Museu do
Aljube
Visita guiada ao Museu do Aljube































