sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cadeia do Aljube

 

O edifício atual, onde esteve instalada a cadeia do Aljube, data do séc. XVIII. Após o terramoto de 1755, o plano pombalino de reconstrução da cidade implicou o alargamento para norte da antiga Rua Direita da Porta Travessa da Sé, obrigando à reedificação da Cadeia do Aljube, a qual exibe um escudo, ou seja, o brasão dos Castros, que sobrepuja a porta principal.

Segundo o investigador da História de Lisboa, Gomes de Brito, este brasão marca a reconstrução do edifício, no todo ou em parte, por iniciativa do Bispo do Porto, D. José de Castro, que o mandou ali colocar, à data do plano da nova cidade de Pombal.

No entanto, Luis Pastor de Macedo, no seu livro Lisboa de Lés a Lés, avança a possibilidade de que, durante o domínio árabe, teria existido uma cadeia em Lisboa, denominada "Aljobbe" ou "Alchub", instalada no edifício do Aljube ou em qualquer outro que antes deste tivesse sido edificado naquele local. Para este autor, e com base na investigação do já mencionado Gomes de Brito, parece credível aceitar-se a hipótese de que este cárcere do Aljube possa remontar aos primeiros tempos da Lisboa cristã, como local de punição para crimes do foro eclesiástico.

Por sua vez, em 1526, as Constituições do Arcebispado de Lisboa, publicadas em 1588, permitem verificar a existência do Aljube como tal, ao estabelecerem que as penas de prisão em matéria eclesiástica fossem cumpridas na referida cadeia. Em 1845, o Aljube foi destinado a prisão de mulheres, até à sua transferência para o Convento das Mónicas, tendo funcionado como cárcere de presos políticos, durante grande parte do período do Estado Novo. Em 1930, procurando modificar o aspeto das prisões, foram executadas obras de beneficiação no Aljube. Por fim, na década de 80, o Aljube foi reconvertido para a instalação do Instituto de Reinserção Social.

 





Descrição:

Instalado numa antiga prisão política da ditadura portuguesa (1926-974), é dedicado à memória da resistência em prol da liberdade e da democracia. Inaugurado a 25 de abril de 2015, é um espaço de preservação e valorização da memória na construção de uma cidadania democrática.

A obra de recuperação e adaptação do edifício é da autoria dos arquitetos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira.

O museu está organizado por cinco pisos:

Piso -1 - Mostra de objetos arqueológicos;

Piso 0 - Memorial de homenagem aos presos políticos; história do edifício e espaço de exposições temporárias;

Piso 1 - A exposição de longa duração ocupa o piso 1, 2 e 3. No piso 1, a caracterização do regime ditatorial português (1926-1974), os seus meios de repressão e opressão (a Censura, as polícias e os tribunais políticos).  

Piso 2 - A resistência das oposições (semi-legais e clandestinas), a prisão, a tortura, os curros de isolamento.  

Piso 3 – A guerra colonial, a luta anticolonial e os movimentos independentistas de libertação, o derrube da ditadura e o 25 de abril de 1974..  

Piso 4 - Auditório, espaço de exposições temporárias e vista panorâmica sobre o Tejo e a cidade de Lisboa.

O museu dispõe, ainda, de um Centro de Documentação aberto ao público, e de uma programação diversa (visitas orientadas, debates e conferências, exposições, cinema, teatro, itinerários).

Visita guiada ao Museu do Aljube





























Visita guiada ao Museu do Aljube




quinta-feira, 18 de junho de 2026

Fragata D. Fernando II e Glória


 

A Dom Fernando II e Glória foi uma fragata à vela da Marinha Portuguesa, que navegou entre 1845 e 1878. Atualmente é um navio museu, na dependência do Museu da Marinha e classificada como Unidade Auxiliar da Marinha (UAM 203).

A D. Fernando foi o último navio de guerra inteiramente à vela da Marinha Portuguesa. Foi construída em Damão, na Índia Portuguesa, sob a supervisão do engenheiro construtor naval Gil José da Conceição, por uma equipa de operários indianos e portugueses, liderados pelo mouro Yadó Semogi. Na sua construção foi usada madeira de teca de Nagar-Aveli. Depois do lançamento ao mar, em 22 de outubro de 1843, o navio foi rebocado para Goa onde foi aparelhado.

O navio foi baptizado em homenagem ao Casal Real Português, o rei-consorte D. Fernando II e a Rainha D. Maria II, cujo nome próprio era Maria da Glória. O "Glória" do seu nome também se referia à sua santa protetora, Nossa Senhora da Glória, de especial devoção entre os Goeses.

O navio estava armado com 50 bocas de fogo, com 28 na bateria e 22 no convés.

A sua viagem inaugural, de Goa a Lisboa, decorreu entre 2 de fevereiro e 4 de julho de 1845.

A D. Fernando navegou durante 33 anos, percorrendo cerca de 100 000 milhas, correspondentes a, quase, cinco voltas ao mundo. Foi empregue no transporte de tropas, colonos e degredados para Angola, Índia e Moçambique. Participou em operações navais de guerra no Ultramar Português. Apoiou a expedição de Silva Porto de ligação terrestre entre Benguela em Angola e a costa de Moçambique.

Em setembro de 1865 a D. Fernando substituiu a nau Vasco da Gama como Escola de Artilharia Naval, fazendo viagens de instrução até 1878. Nesse ano, fez a sua última missão no mar, realizando uma viagem de instrução de guarda-marinhas aos Açores. Nessa viagem, ainda conseguiu salvar a tripulação da barca americana Laurence Boston que se tinha incendiado. A partir daí passou a estar sempre fundeada no Tejo.

Em 1938 deixou se servir de Escola Prática de Artilharia Naval, passando a ser utilizada como navio-chefe das Forças Navais no Tejo.

Em 1940 cessou o seu uso pela Marinha Portuguesa, sendo a fragata transformada em Obra Social da Fragata D. Fernando, uma instituição social que se destinava a albergar e a dar instrução e treino de marinharia a rapazes oriundos de famílias pobres.

Em 1963, um violento incêndio destruiu uma grande parte do navio, ficando abandonado no Tejo.

Entre 1992 e 1997 a fragata foi recuperada pela Marinha Portuguesa, recorrendo ao Arsenal do Alfeite e aos estaleiros Rio-Marine de Aveiro.

O navio esteve exposto na Expo 98. Desde então é um navio museu da Marinha Portuguesa, estando actualmente desde 1 de Março de 2008, em doca seca, em Cacilhas - Almada, estando a receber trabalhos de manutenção, e continuado a servir de museu ao publico











































Cadeia do Aljube

  O edifício atual, onde esteve instalada a cadeia do Aljube, data do séc. XVIII. Após o terramoto de 1755, o plano pombalino de reconstruçã...